GALINHA, BEZERRO E ASNO DISPUTAM O BRASIL

Diretamente do século VII a.C.,a Galinha dos Ovos de Ouro, do fabulista Esopo, saiu da Grécia para disputar eleições no Brasil. Viagem rápida. Ela veio por download. Arquivo leve, peso pluma, mas com um histórico político pesadíssimo.

O pesado e bíblico Bezerro de Ouro, criado por Aarão, irmão de Moisés, também disputou eleições no país. O Bezerrão foi destruído naquela época e transformado em pó. Foi fácil transportar 450 kg de pó num helicóptero.

O mais novo dos candidatos, o Asno de Ouro, dá nome ao livro do escritor argelino Lúcio Apuleio, que finalizou esta obra por volta do ano 150 d.C. Impedido de viajar em avião do governo, fizeram uma vaquinha para ele usar voo comercial.

Cada um desses três candidatos tem em comum uma moral da história. Desde a infância é ensinada a mensagem da galinha dourada: quem tudo quer, tudo perde. Naqueles tempos do Esopo, a galinha for foi morta pelos seus donos, que acreditaram ter muito ouro dentro da ave. Só havia carne, e ela ainda parou de botar.

Na recente história do Brasil havia programas sociais de ouro. Por isso mesmo, mataram o comando de uma galinha presidente, em nome da fome de poder. Iam até temperá-la com pré-sal. Agora, está difícil dividir os ovos de ouro do país entre os tantos matadores de diferentes partidos. Todos eles não suportam a ideia de encher o papo de grão em grão.

Não há o que Temer, diz o atual dono dos ovos de ouros. Primeiramente, fora povo.  Quem deve temer são as galinhas que produzem o ouro do país. Poderiam colocar uma raposa no galinheiro e acabar de vez com toda essa galinhagem, mas não se trata de uma operação militar, é judicial.

Esopo sugeriu mudar a educação no país. Filosofia e outros saberes são coisas de grego. Por essa mistura racial de galinhas no Brasil, o melhor é uma escola sem partido. Chega de direitos humanos para essa maioria de galinhas d´angola, essa minoria de galos índios, esse povinho colorido estilo carijó, gentinha de baixa estatura tamanho garnizé. Essas galinhas de granja, que presentam representam os brancos pobres, terão jornada de trabalho duplicada e aposentadoria depois da morte. Nova moral da história: quem tudo quer, tudo pode (até um certo ponto).

Da Grécia para os ideais romanos do Bezerro. Consta no Êxodo 32.6: “O povo mostrou-se unido, participativo e disposto a contribuir, trazendo as joias de ouro das mulheres, dos filhos e das filhas” para construir e adorar o quase sagrado Bezerro de Ouro. Eis a moral da história naquele tempo: precisamos tomar cuidado com a nossa impaciência. Hoje, impaciência é virtude. Tem que agir rápido.

A moral mudou e a idolatria foi atualizada. Quase a metade da população idólatra do país elege políticos com grandes históricos comprovados de corrupção. É aceitável eleger e valorizar um corrupto na Petrobrás de 30, 20 anos passados. O que não pode são os corruptos de 13 anos pra cá. O trensalão tucano de São Paulo tem mais de 20 anos. Parece intocável. Os seus integrantes abastecem a coluna social da revista Caviar.

Eis a mensagem do eleitorado do bezerro: “me engana que eu gosto”. Eles justificam: “quem tem de governar o país é rico. Rico já é rico e não vai roubar.” São eleitores com fé cega e faca amolada. Gostam de cores douradas como a camiseta canarinho da Seleção e pato amarelo da Fiesp. Mas até isso tem que mudar. Inspirado em Moisés, que destruiu o bezerro de ouro de Aarão, os representantes dessa casta querem vender o país. Chega de bezerro. O modelo idealizado de adoração é o touro de bronze da Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Esses e outros planos de recolonizar o Brasil já teriam acontecido se o Asno de Ouro não tivesse entrado na história. No livro de Apuleio, o personagem humano Lúcio (que é o mesmo nome do autor) foi transformado em corpo de burro, mas continuou pensando como gente. Orelhudo, o Lúcio, o Lu, tinha o dom de saber escutar o povo e ridicularizar os ricos.

O Asno de Ouro brasileiro serviu a diversos donos e fez coligações para o partido sobreviver. Esta asneira fez parte do seu aprendizado de peregrinação, que culminou com rupturas e crises no país, mostrando realmente quem é quem. Ainda assim, muitos preferem matar a galinha dos ovos de ouro e serem idólatras do Bezerrão.

Assim como o Lúcio do livro, o Lu quer voltar à condição humana e renascer. Só conseguirá quando estiver realmente bem preparado e analisar os acertos e erros da sua trajetória. É a purificação dos mestres de grandes ideais sociais. Moral da história: “quanto mais a gente ensina, mais aprende o que ensinou.”

http://www.revistalinguadetrapo.com.br/galinha-bezerro-e-asno-disputam-o-brasil-por-silvio-reis/

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