Americano propôs Olho de Cobra no Brasil

Instituto Butantan apoiou. Em 1964, TV Record e Folha de S. Paulo divulgaram a proposta.

É extenso o currículo do norte-americano enviado ao Brasil pela Marinha de Guerra dos Estados Unidos, em missão do serviço de inteligência. Paul Donovan Kigar  interessou-se por selos aos doze anos e se tornou colecionador depois de adulto.
Radicado em São Paulo, ele propôs uma mudança de nome para o segundo selo postal do Brasil, o Olho de Cabra, lançado em 1850. Após mais de um século, o formato Inclinado passaria a se chamar Olho de Cobra, pela semelhança do olho deste animal com a ilustração do selo. Na defesa desse projeto, Kigar publicou artigo na inglesa Gibbons Stamp Monthly, em seu país de origem e na Itália. Depois, divulgação no Japão e Espanha.
Na publicação “Brasil 1844 – 1846 – Inclinados”, o administrador de empresas e filatelista Walter Gonçalves Taveira relata fatos curiosos dessa história, como a diretoria da Sociedade Philatélica Paulista, SPP, que promoveu um encontro com Kigar, na sede da entidade. “Após árduas discussões entre o presidente da SPP e o sr. Kigar não houve entendimento, ficando cada qual com sua posição.”
O norte-americano obteve apoio do Instituto Butantan, em São Paulo, que demonstrou por meio de desenhos a viabilidade da proposta. As ilustrações foram utilizadas nos artigos e apresentadas por Kigar na TV Record, em 1964. Nesse mesmo ano, a Folha de S. Paulo divulgou na edição de 11.10, “Olho de Cabra e não Inclinados”, pág. 7.
O jornalista Moysés Garabosky expõe o projeto: “O sr. Paul D. Kingar é da opinião que os selos da segunda emissão brasileira, conhecidos em todo o mundo como “Inclinados”, devem ser denominados “Olho de Cobra”, em virtude da semelhança entre os desenhos do referido selo e o olho de cobra. O sr. Kigar, para robustecer a sua opinião sobre essa semelhança, ouviu o ponto de vistas dos técnicos, drs. Hélio Emerson Belloumini, encarregado do setor de Biologia e Venenos, e Alphonse Richard Hoge, chefe da seção de Herpetologia, do Instituto Butantã.” Ainda em 64, o escritor filatético J.L. de Barros defendeu a Cobra no Diário de São Paulo.
Em 1967, a revista japonesa The Kitte Kenkyn  publicou o artigo inicial, levando um filatelista do país a ganhar um prêmio de literatura filatélica a partir do ideal de Kigar. O trabalho foi reconhecido e publicado na revista Alhambra, em Granada, Espanha. Em 1978, um alemão ainda foi favorável à Cobra, mas prevaleceu o Olho de Cabra.

Mito do Bom Selvagem

Estudos apontam que os três primeiros selos lançados no Brasil tiveram desenhos semelhantes com o olho dos animais escolhidos: Olho de Boi, em 1843, Olho de Cabra, 1850, e o colorido Olho de Gato, de 1854. Três animais domesticáveis, que podem ser olhados de perto pelo homem. No entanto, o olhar selvagem de uma cobra pode ser considerado mais expressivo do que os olhos mansos de uma cabra.

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