Shivo jaz em mim

 

Jasmim e jacinto são flores que nascem em humanos. Representam mudanças pessoais. Sempre que pensamentos e sentimentos deixam de fazer sentido, algo jaz em mim. E logo logo eu já sinto novas emoções e valores. Mas tem vaidades e fantasias que levam uma vida para irem embora. Algumas loucuras são pra sempre.
Sempre me distanciei de pessoas com “cheiro de ovelha”. Aquelas que necessitam dominar e sugar ovelhas humanas. Pode ser por meio de uma imposição moral, religiosa, política, financeira. Querem determinar o jacinto e o jasmim nos outros. É o tipo que não aceita a intertroca inteligente dos porcos-espinhos, que se abraçam sem que um machuque o outro. Só os seletos convivem bem com os espinhos da diversidade.
Gosto mesmo de pessoas que despertam e renovam os meus lobos, como este Lobo da Estepe hessiano:

– Você precisa escrever umas verdades pra você mesmo. Se não tiver assunto, diga que continua a solidão nos mesmos lugares. As notícias que nunca chegam ainda não chegaram. Um Brasil cada vez mais implodido continua dentro da gente. Escreva isso pra você.
Respondi ao lobo que todas as mensagens que me encaminho sempre retornam, por falta de destinatário e endereço. Eu já não sei quem sou e ninguém localiza o meu coração. O lobão continuou a falar.
– Eu gostaria de receber uma carta tua, mesmo que eu coloque palavras na tua boca escrita. Você me diria que depois de sonhar em subir muitas escadas na vida, descobriu que não sabe subir, só sabe sonhar. Meu amigo, deixe de inventar realidades que não vão acontecer. Não sonhe com o que você será se não realizar o que você é. E deixe um pouco acontecer. Amanhã, o sonho vai te acordar.
Esse lobo fala até mais o que os cheiradores de ovelhas. As palavras dele são mineiras demais, brasileiras demais, estrangeiras demais. Mas de repente, ele parou de falar e se afastou, com a chegada da chefe da matilha, que é minha grande amiga. Uma menina de 3 anos de idade.
Quando essa minha amiga não conseguia falar o meu nome, me chamava de Shivo. Que honraria!!! A vida toda tive certeza de que, um dia, eu seria um semideus. Todo Shivo – e eu sou único – está num patamar diferente – de vaidade, loucura e solidão. Passei a gostar mais de mim depois do apelido.
Agora, a vida tem exigido um jaz em mim nessa fantasia. Minha amiga aprendeu a falar meu nome. Faço negociações para manter o apelido. A chefinha da matilha não aceita. Já sinto que a alegria do apelido logo logo jaz em mim. Não quero me desapegar do Shivo. É o meu espelho mais bonito e feliz. Se me tirarem esse brinquedo, fico órfão de mim mesmo. Eu sou muito Shivo.

Publicado: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=52291

 

 

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